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Construção abre 200 mil vagas: quanto custa contratar?

Construção abre 200 mil vagas: quanto custa contratar? — A1 Conta

A construção civil abriu 20.848 vagas formais em agosto de 2026 e acumula 200.431 postos no ano, segundo o Novo Caged divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 29 de setembro. Foi o segundo setor que mais contratou no mês, atrás apenas de serviços. O saldo positivo esconde um dado que pesa no caixa de qualquer construtora: foram 219.292 admissões para 198.444 desligamentos. Nove em cada dez contratações do mês serviram apenas para repor quem saiu. Este artigo mostra quanto custa um funcionário registrado no canteiro em 2026, quanto custa perdê-lo e o que fazer para que a folha não corroa a margem da obra.

O que o Caged de agosto diz sobre o canteiro

De janeiro a agosto, a construção criou 200.431 empregos com carteira assinada, 2,66% acima do mesmo período de 2025, e o estoque do setor chegou a 3,15 milhões de vínculos formais. Obras de infraestrutura puxaram o resultado, com 79.065 vagas no acumulado.

O salário também subiu. O salário médio de admissão na construção foi de R$ 2.642,46 em agosto, 9,61% acima da média geral da economia (R$ 2.410,74). Só um setor pagou mais para contratar. Quem abre vaga hoje concorre por mão de obra em um mercado em que o trabalhador tem para onde ir.

E a conta pode crescer. Estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), divulgado em 23 de setembro, estima que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, em discussão no Congresso junto com o fim da escala 6×1, exigiria mais de 288 mil trabalhadores adicionais para manter o nível atual de atividade. O custo da mão de obra subiria até 15% e o custo total das obras, pelo menos 6%. São projeções, mas já entram em qualquer planejamento de 2027.

Quanto custa um pedreiro registrado em 2026?

Sobre o salário incidem as contribuições patronais da Lei nº 8.212/1991, o FGTS da Lei nº 8.036/1990, as provisões de 13º e férias e os benefícios da convenção coletiva de cada base territorial. A simulação abaixo usa o piso de oficial (pedreiro, armador, carpinteiro) da convenção SindusCon-SP e Sintracon-SP, vigente desde 1º de maio de 2026: R$ 2.801,98 por mês, com vale-refeição de R$ 33,44 por dia.

Os percentuais valem para uma construtora de edifícios (CNAE 41.20-4) que já recolhe a contribuição patronal cheia de 20%, com RAT de 3% e FAP neutro. Empresas ainda em transição da desoneração pagam menos em 2026, como explicamos no post sobre a reoneração da folha na construção.

Item Base de cálculo Valor mensal (R$)
Salário (piso de oficial, SP) Convenção coletiva 2026/2027 2.801,98
INSS patronal 20% do salário 560,40
RAT (risco de acidente) 3% do salário 84,06
Terceiros (Sistema S, salário-educação, Incra) 5,8% do salário 162,51
FGTS 8% do salário 224,16
Provisão de 13º salário 1/12 do salário 233,50
Provisão de férias + 1/3 1/12 do salário × 1,333 311,33
Encargos sobre as provisões 36,8% sobre 13º e férias 200,50
Vale-refeição R$ 33,44 × 22 dias 735,68
Vale-transporte (líquido do desconto de 6%) Estimativa 219,08
EPI, exames ocupacionais e treinamentos Estimativa rateada 100,00
Custo total mensal 5.633,20

Um pedreiro com salário de R$ 2.801,98 custa cerca de R$ 5.633 por mês, pouco mais de duas vezes o valor do holerite. Em uma equipe de 30 oficiais, a diferença entre salário nominal e custo real passa de R$ 84 mil por mês. Quem orça a obra pelo salário bruto está subestimando a mão de obra em cerca de 50%. A cesta básica, obrigatória em várias convenções, ficou fora da simulação; onde ela existe, o custo sobe mais algumas centenas de reais por trabalhador.

Quanto custa perder um pedreiro?

O Caged registrou 198 mil desligamentos na construção em um único mês. Parte deles é natural, pelo fim de etapas da obra. Outra parte é rotatividade: o trabalhador sai para o canteiro vizinho, que pagou R$ 100 a mais ou dá vale-alimentação melhor. Considere o mesmo pedreiro desligado sem justa causa após 12 meses de contrato.

O aviso prévio indenizado é de 33 dias (30 dias mais 3 por ano trabalhado, conforme a Lei nº 12.506/2011), cerca de R$ 3.082, com FGTS sobre o valor. A multa de 40% do FGTS sobre o saldo do período fica em aproximadamente R$ 1.166. O 13º e as férias proporcionais já estão provisionados na tabela, mas saem de uma vez na rescisão e apertam o caixa daquele mês. Depois vem a reposição: exame admissional, EPIs novos, integração de segurança exigida pela NR-18 e a produtividade menor das primeiras semanas, que o mercado costuma estimar entre meio salário e um salário completo.

Somando só os itens diretos, substituir um oficial custa entre R$ 5.500 e R$ 7.000. Em uma obra com 30 oficiais e rotatividade anual de 60%, patamar comum no setor, são 18 trocas por ano e algo entre R$ 100 mil e R$ 125 mil que saem do resultado sem erguer um metro de parede.

Registrar, terceirizar ou subempreitar?

Diante desse custo, muitas construtoras reduzem o quadro próprio e contratam empreiteiras de mão de obra. A escolha tem consequências que precisam entrar na conta. Ao contratar com cessão de mão de obra, a construtora retém 11% de INSS sobre o valor da nota fiscal, conforme o art. 31 da Lei nº 8.212/1991 e a Instrução Normativa RFB nº 2.110/2022, e responde solidariamente pelas obrigações trabalhistas e previdenciárias que a contratada deixar de cumprir. Se a empreiteira não depositar o FGTS dos trabalhadores, a cobrança pode chegar à tomadora. Do outro lado, a contabilidade para empreiteiras precisa administrar essa retenção na fonte, que trava caixa até a compensação.

Há ainda o cadastro da obra no CNO, a vinculação dos trabalhadores no eSocial e a EFD-Reinf com as retenções. Erros nesses cruzamentos geram autuações automáticas, como mostramos no artigo sobre o eSocial na obra. Terceirizar transfere parte do custo, mas não a responsabilidade.

O que fazer para proteger a margem

  1. Orce a mão de obra pelo custo total, não pelo salário. Um multiplicador de 2,0 sobre o piso é um ponto de partida realista para empresas fora da desoneração.
  2. Revise o FAP. O Fator Acidentário de Prevenção multiplica o RAT entre 0,5 e 2,0, e uma obra com histórico ruim de acidentes pode estar pagando 6% em vez de 3%.
  3. Provisione 13º, férias e rescisões mês a mês. A rescisão de dezembro não pode ser surpresa no fluxo de caixa.
  4. Confira o enquadramento na transição da desoneração. Em 2026 a alíquota patronal ainda é reduzida para os CNAEs beneficiados, e aplicar 20% direto pode significar pagamento a maior.

A A1 Conta faz esse trabalho para construtoras, empreiteiras e incorporadoras. A contabilidade para construtoras inclui o cálculo do custo real de mão de obra por obra, a conferência de FAP e RAT, a gestão do CNO e das retenções e o BPO de folha de pagamento com provisões mensais. Se a sua planilha de orçamento ainda usa o salário bruto como custo de mão de obra, vale uma conversa: com os dados da sua obra, mostramos onde a folha está pesando mais do que deveria.

Perguntas frequentes

Quanto custa um funcionário na construção civil em 2026?

Com salário de R$ 2.801,98 (piso de oficial em São Paulo), o custo mensal total fica em torno de R$ 5.633, somando INSS patronal de 20%, RAT, terceiros, FGTS, provisões de 13º e férias e benefícios da convenção. O multiplicador fica próximo de 2,0 vezes o salário.

Qual foi o saldo de empregos da construção no Caged de agosto de 2026?

A construção civil gerou 20.848 vagas formais em agosto de 2026, resultado de 219.292 admissões e 198.444 desligamentos. De janeiro a agosto, o setor criou 200.431 postos, 2,66% a mais que em 2025.

Qual é o salário médio de admissão na construção civil?

Segundo o Novo Caged, o salário médio de admissão na construção foi de R$ 2.642,46 em agosto de 2026, 9,61% acima da média de todas as atividades econômicas (R$ 2.410,74). Foi o segundo maior salário de entrada entre os setores acompanhados.

A construtora que contrata empreiteira precisa reter INSS?

Sim. Na contratação com cessão de mão de obra ou empreitada, a contratante retém 11% do valor bruto da nota fiscal como contribuição previdenciária, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/1991. A construtora também responde solidariamente por débitos trabalhistas e previdenciários da empreiteira.

O fim da escala 6×1 vai aumentar o custo da obra?

Pela estimativa da CBIC de setembro de 2026, a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais exigiria mais de 288 mil trabalhadores adicionais e elevaria o custo da mão de obra em até 15%, com impacto de pelo menos 6% no custo total das obras. A proposta ainda tramita no Congresso e os números são projeções.

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